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IA na eleição: o TSE proibiu até o conteúdo com aviso de IA

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Vinicius Oliveira · 2 de outubro de 2026 · 3 min de leitura

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Por Vinicius Oliveira, fundador da Escola Canivete

Aquela pessoa que comentou política no seu feed ontem, com foto simpática e opinião firme, existe mesmo? Parece pergunta de teoria da conspiração, mas virou pergunta de dado.

Dezoito pessoas que nunca existiram

Segundo o Observatório IA nas Eleições, citado em artigo de Glauco Sampaio no Jornal do Comércio, foram identificados 18 avatares gerados por inteligência artificial comentando política no Brasil entre janeiro de 2025 e abril de 2026. Em 61% das ocorrências não havia nenhuma indicação do uso da tecnologia e, em 78% dos casos, os perfis espalharam alegações enganosas sobre políticos ou instituições democráticas.

Dezoito parece pouco. Mas pense no estrago que um único perfil bem construído faz quando ninguém desconfia dele. Vou poupar vocês de mais estatística: o resumo é que opinião não precisa de CPF para circular.

O que o TSE decidiu

Desde quinta-feira (1º) ficou proibido publicar, republicar e impulsionar com dinheiro novos conteúdos sintéticos, feitos ou alterados por IA, que envolvam imagem, voz ou manifestação de candidatos e pessoas públicas. A informação é da Agência Brasil, em matéria reproduzida pelo Porto Alegre 24 Horas. A regra vale até 24 horas depois do fim da votação, e o primeiro turno é neste domingo (4).

O detalhe que mais me chamou a atenção é que a proibição vale mesmo que o material esteja devidamente identificado. Ou seja, colocar o aviso "feito com IA" não salva a publicação.

Não sou advogado eleitoral e não vou me arriscar a interpretar a regra. Mas o recado do Tribunal é bem claro: perto da votação, avisar não é o mesmo que estar liberado.

Por que isso importa para quem não é candidato

Rótulo é como cinto de segurança: ajuda, mas não substitui o freio. Um deepfake (vídeo ou áudio falso criado por IA) corre muito mais rápido do que qualquer aviso consegue acompanhar.

Agora traga isso para a sua empresa. Imagine um áudio com a voz do diretor pedindo uma transferência urgente ao financeiro, ou um vídeo "vazado" do dono dizendo o que ele nunca disse. A tecnologia é a mesma, só muda o alvo.

Quem já liderou um time comercial grande, como eu, sabe que vendedor vive de responder rápido. E é exatamente a pressa que o golpe explora.

Três hábitos para começar hoje

Eu não acredito em lista gigante de regras. Prefiro poucas, que o time realmente lembre na hora do aperto:

  • Desconfie do urgente e do indignante: conteúdo feito para você reagir antes de pensar é o favorito de quem quer enganar.
  • Confirme por um segundo canal: pediu dinheiro, dado ou senha por áudio ou vídeo? Ligue de volta no número que você já tem, nunca no que veio na mensagem.
  • Escreva a regra de IA da sua empresa: o que pode usar, o que precisa avisar e o que é proibido, como clonar voz ou rosto de pessoa real sem autorização.

Parece básico, e é. Só que a maioria das empresas ainda trata IA no esquema "cada um se vira".

O que eu aprendi com isso

Honestamente, ainda não sei se proibir resolve. Quem cria um avatar para enganar não coloca etiqueta na testa, e quem quer burlar a regra não costuma ler o regulamento.

O que eu sei é que a checagem precisa virar rotina, e não reação. IA não é o problema. Confiança sem checagem é.

E você, a sua empresa já tem uma regra escrita para o uso de IA ou ainda está no "cada um se vira"? Me conta como vocês estão lidando com isso.

Fontes e leitura recomendada

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Sobre o autor

Vinicius Oliveira

Vinicius Oliveira é fundador da Escola Canivete, publicitário formado pelo Mackenzie e cursa MBA em Gestão Comercial na FGV e MBA em Inteligência Artificial Aplicada a Negócios na FAAP. Tem mais de 10 anos de experiência em marketing e vendas e ensina profissionais sem tempo a aplicar IA na rotina de trabalho. Conheça o Vinicius no LinkedIn.

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